Por Ivana Maria França de Negri
Seria muita incoerência de minha parte se eu, que gosto
de animais e os respeito, fizesse uso deles em minha alimentação.
Quando digo a alguém a frase que intitula minha crônica,
logo fazem cara de espanto como se eu fizesse parte de um
outro mundo ou pertencesse a outra civilização.
Sempre ouço: “Mas você come frango e peixe,
não é?”, como se peixe e frango não
fossem bicho também...
Perdoem-me os carnívoros compulsivos, mas comer carne
ainda é um resquício da pré-história,
traço selvagem da raça humana que tende a ser
abolido conforme evoluímos.
Outro dia, uma turma de adolescentes amigos de meu filho,
estavam reunidos em casa e um deles disse em tom de desafio:
“tia, e as melhores coisas da vida como cachorro quente
e hambúrguer?”... Mais tarde servi a eles um
lanche: hambúrgueres de soja. Não só
comeram, como aprovaram. Toda vez que vêm aqui, querem
“aquele” hambúrguer vegetariano. E tem
também a salsicha de glúten que não deixa
nada a desejar.
É tudo uma questão de costume. Mas também
é necessário boa mão para temperar- segredo
de qualquer prato- e imaginação para criar alternativas
de como substituir a carne.
A maioria das pessoas acha que vegetariano só come
“mato”, ou seja, vegetais. Não é
bem assim. A gama de opções de cardápio
é variadíssima e também muito saborosa.
Quem já foi a um restaurante vegetariano, que vende
comida por quilo, sabe das inúmeras e deliciosas variedades.
Leves, de fácil digestão e sem gorduras saturadas.
Não pretendo convencer ninguém a tornar-se vegetariano,
longe de mim esta pretensão. Apenas aproveitei escrever
sobre o assunto porque recebi material da Mataji, uma Organização
Internacional que instituiu o dia 25 de novembro como o dia
mundial de não comer carne. Eles pregam: “neste
dia, alimente um animal ao invés de alimentar-se dele”.
É uma boa iniciativa para levar as pessoas a pensarem
um pouco sobre isso. Quando compram aquele pacotinho atraente
no supermercado, não pensam que “aquilo”
um dia teve um coração a pulsar no peito, como
nós. Tentem ficar um dia sem comer nenhum tipo de carne.
Vão sentir-se mais leves, espiritualmente mais puros
e seu corpo vai agradecer.
Muitos dirão que a carne na alimentação
é imprescindível. Conheço pessoas que
nunca comeram carne desde que nasceram, muitas com cinqüenta,
sessenta anos, esbanjando saúde e aparência de
pelo menos 20 anos a menos. Eu sou vegetariana a mais de quinze
anos, mas gostaria de ter sido a vida toda. Meu marido, que
é médico, também vegetariano, não
o seria se achasse que o fato de não comer carne afetasse
a saúde.
Li no jornal “O Estado de São Paulo” que
o Brasil se gaba de estar exportando carne para os Estados
Unidos e Europa. Não vejo mérito nisso, já
que o mesmo jornal menciona dados como: “para se produzir
um quilo de carne são necessários sete quilos
de grãos, e para produzir uma tonelada de grãos,
são necessárias mil toneladas de água”.
Ora, se a água está escasseando e torna-se preciosa,
por que desperdiçá-la? Isto sem contar os dejetos
que são despejados nos rios das aviculturas como restos
de vísceras, sangue, gorduras, penas e carcaças.
Inclusive há um dado alarmante dito por um exportador
de touros: diz ele que num prazo de dez anos os Estados Unidos
não mais terão condições de produzir
carnes. E quem abastecerá os milhares de fast-foods?
Espero sinceramente que não seja o Brasil.
O Natal é por excelência, a Festa do Amor e da
Paz. Será?... Na ceia, jazem expostos, vítimas
da carnificina dos humanos, os restos mortais dos pobres animais...
Fonte: http://www.svbpoa.org
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